Transtorno Afetivo Bipolar e reorganização do eixo de consciência: 1 ano de tratamento com BioFAO

Por Dra. Aline Sabino

1. Identificação

Paciente masculino, nascido em 05/10/1989, atualmente com 36 anos, 7 meses e 17 dias em 22/05/2026, com diagnóstico prévio de Transtorno Afetivo Bipolar, em seguimento psiquiátrico regular, uso de carbonato de lítio e acompanhamento psicoterápico.

Antecedentes clínicos: Rinite – leve (“de quando vira o tempo”), várias fraturas quando criança (jogando vôlei, futebol), Terçol, Sarampo ou Catapora, Gastrite, Esofagite, DRGE, Hernia umbilical, Disturbio de dentição – sempre teve q usar aparelho e não queria, Cáries, Habito intestinal diário.

Caso acompanhado em perspectiva integrativa, associando tratamento alopático, psicoterapia, mudanças de estilo de vida, monitoramento bioenergético e ciclos de BioFAO.

Trata-se de um caso de evolução particularmente significativa, não apenas pela estabilidade clínica, mas sobretudo pela mudança de posição existencial do paciente diante da própria história, da doença, dos vínculos afetivos e da sua capacidade criativa/profissional.


2. História inicial e evento traumático estruturante

O caso se inicia após um episódio psicótico/maniforme ocorrido na primeira viagem do casal, poucos meses após o casamento. No retorno da viagem, em contexto de maior agitação psíquica, o paciente dirigia o carro na estrada do litoral, em região de serra, quando a esposa interpretou sua conduta como possível tentativa de suicídio.

A situação evoluiu para pedido de separação ainda nos primeiros meses de casamento. Para o paciente, esse evento teve impacto traumático profundo. Ele era muito religioso, tinha o casamento na igreja como um grande sonho de vida e referia aquela mulher como o grande amor de sua vida. A separação, somada à sensação de não ter sido compreendido, cuidado ou sustentado naquele momento de vulnerabilidade psíquica, tornou-se uma ferida central.

A ex-esposa permaneceu de algum modo próxima, mas já em outro lugar afetivo: mais como amiga do que como parceira. Isso prolongou o sofrimento, pois o paciente ainda mantinha vínculo amoroso e idealização do casamento perdido.


3. Evolução antes da BioFAO

Após a separação, o paciente iniciou um longo percurso de psicoterapia e reconstrução subjetiva. À época, trabalhava como professor de inglês. Progressivamente, começou a estudar empreendedorismo, aproximou-se do mercado imobiliário e passou a buscar uma nova identidade profissional.

Apesar de avanços importantes com psicoterapia e estabilização medicamentosa, permanecia um núcleo de medo muito significativo: medo de repetir o surto, medo de casar novamente, medo de morar com alguém e medo de que a felicidade, a expansão ou o entusiasmo pudessem ser confundidos com sinais de mania.

Esse ponto é central no caso: o paciente não tinha apenas medo de adoecer; ele passou a ter medo da própria vida quando ela se movimentava. A alegria, o desejo, o amor, o crescimento profissional e a coragem de empreender ficavam sob suspeita interna. Havia uma dificuldade de discernir o que era sintoma, o que era potência legítima, o que era felicidade e o que era expansão saudável da consciência.


4. Linha do tempo dos ciclos BioFAO

Ciclo 1 — 22/05/2025
Fase 1

Primeiro movimento de entrada no tratamento BioFAO. O ciclo inaugura uma etapa de maior observação do campo, com início de reorganização do paciente em torno de escolhas mais conscientes, rotina e percepção de si.

Fase 2
Continuidade do primeiro ciclo, com aprofundamento do trabalho iniciado. Nesse período, o paciente já vinha em processo de psicoterapia, mas o tratamento passa a ganhar um eixo mais claro de biorregulação e leitura do terreno.

Ciclo 2 — 20/08/2025
Neste momento, observa-se maior sustentação do processo de mudança. O paciente começa a consolidar novas escolhas profissionais e subjetivas. O eixo de medo ainda estava presente, especialmente em relação à possibilidade de expansão afetiva e profissional, mas já havia maior capacidade de observar os próprios estados internos sem se fundir completamente a eles.

Ciclo 3 — 02/11/2025
A partir deste ciclo, a evolução se torna mais evidente do ponto de vista existencial e funcional. O paciente passa a apresentar mais disciplina, mais organização de rotina e maior contato com práticas de autorregulação, como meditação, exercício físico e corrida. Há também fortalecimento do autoconhecimento e maior capacidade de reconhecer padrões emocionais sem imediatamente interpretá-los como recaída.

Ciclo 4 — 01/02/2026
Nesta fase, o paciente já se encontrava em maior estabilidade e expansão funcional. Mantinha acompanhamento psiquiátrico e uso de carbonato de lítio, mas começava a ser possível discutir, com prudência, uma redução gradual da alopatia, sempre com monitoramento clínico e laboratorial. O ponto mais importante é que a estabilidade não parecia mais depender apenas da contenção medicamentosa, mas também de um campo interno mais organizado.

Ciclo 5 — 19/04/2026
Neste ciclo, observa-se um paciente mais autorreferenciado, mais capaz de sustentar escolhas adultas, com maior disciplina corporal, mental e espiritual. A evolução profissional encontra-se muito expressiva: deixou de ser professor de inglês, criou a própria empresa no ramo imobiliário, desenvolveu um projeto de educação para corretores e esse projeto foi comprado por uma grande corretora de imóveis de São Paulo. Atualmente, atua na área educacional para corretores, com expansão de autoridade profissional e reconhecimento de mercado.


5. Evolução clínica e existencial observada

Ao longo do tratamento, a evolução não se restringiu à ausência de novos episódios psicóticos ou maniformes. O mais relevante foi a mudança de eixo da consciência.

O paciente passou de uma posição de medo, retração e trauma para uma posição de maior autoria. Conseguiu se aproximar novamente da possibilidade de vínculo amoroso, casamento e vida compartilhada, apesar do trauma da primeira experiência conjugal. Também conseguiu diferenciar melhor entusiasmo de mania, expansão de descontrole, felicidade de risco e potência criativa de sintoma.

Do ponto de vista funcional, a evolução foi muito marcante:
-deixou a posição anterior de professor de inglês;
-ingressou de forma consistente no mercado imobiliário;
-criou uma empresa própria;
-desenvolveu um projeto educacional para corretores;
-teve esse projeto comprado por uma grande corretora de imóveis de São Paulo;
-passou a ocupar um lugar de maior liderança, criatividade e produção;
-estruturou rotina com meditação, exercício físico, corrida e maior disciplina;
-reduziu hábitos prejudiciais e passou a cuidar mais do sono, do corpo e do ritmo de vida.


6. Discussão pela ótica BioFAO

Este caso é especialmente interessante porque mostra uma diferença entre estabilizar sintomas e reorganizar o campo de consciência.

Durante anos, a alopatia teve papel importante na contenção e estabilização do transtorno do humor. O carbonato de lítio foi mantido como base de segurança, sobretudo pelo histórico de surto e pelo medo de recorrência. No entanto, após a sequência de ciclos BioFAO, o que se observa é uma mudança qualitativa: o paciente parece ganhar mais capacidade de discernimento interno.

Na leitura BioFAO, é como se o tratamento tivesse atuado não apenas sobre sintomas, mas sobre o centro de organização do sujeito. O paciente passa a reconhecer melhor o que pertence ao adoecimento e o que pertence à sua própria alma, à sua vitalidade, à sua criatividade e à sua trajetória.

Antes, a expansão da vida era vivida como ameaça: amar de novo poderia ser perigoso; casar poderia desencadear novo surto; crescer profissionalmente poderia ser sinal de aceleração; sentir entusiasmo poderia significar mania. Depois, progressivamente, o paciente passa a sustentar a vida sem se assustar tanto com ela.

Esse é o ponto mais bonito do caso: a BioFAO parece favorecer um campo onde o paciente não apenas “fica estável”, mas começa a se reencontrar com a própria potência, sem perder o senso crítico. Ele passa a discernir melhor sintoma, medo, trauma, felicidade, desejo e propósito.


7. Hipótese interpretativa central

A hipótese clínica é que o trauma conjugal inicial produziu uma ruptura profunda no eixo de confiança do paciente. O surto, a separação precoce e a perda do casamento idealizado criaram uma associação interna entre amor, vínculo, expansão e perigo.

O tratamento convencional ajudou na estabilização do quadro e na prevenção de recaídas. A psicoterapia ajudou na elaboração da história. A BioFAO, por sua vez, parece ter colaborado para uma reorganização mais profunda do campo, permitindo que o paciente retomasse o eixo de consciência, recuperasse escolhas, ampliasse potência criativa e pudesse voltar a confiar na vida sem se confundir completamente com o medo da doença.


8. Pontos de destaque do caso

Este caso permite observar:
1. O papel da BioFAO em paciente com transtorno do humor e histórico psicótico/maniforme.
2. A importância de manter a alopatia enquanto o campo ainda não demonstra estabilidade suficiente.
3. A possibilidade de redução cautelosa da medicação após estabilidade sustentada, sempre com monitoramento clínico e laboratorial.
4. A diferença entre controle sintomático e reorganização existencial.
5. O medo da felicidade e da expansão como consequência traumática em paciente com histórico de mania/psicose.
6. A BioFAO como ferramenta possível de apoio ao discernimento entre sintoma, trauma e potência legítima do sujeito.
7. O surgimento de marcadores funcionais concretos de melhora: rotina, corpo, trabalho, vínculo, criatividade, espiritualidade e capacidade de escolha.
8. O salto de consciência como marcador clínico relevante: o paciente deixa de repetir automaticamente um padrão que o adoecia e passa a responder à vida a partir de um novo eixo interno.


9. Síntese final

Após anos de acompanhamento com alopatia e psicoterapia, o paciente manteve estabilidade parcial, mas ainda com medo importante de repetir o adoecimento em situações de amor, casamento, expansão e sucesso. Após cinco ciclos de BioFAO em aproximadamente um ano, observou-se evolução muito expressiva, com maior estabilidade, maior autoconhecimento, disciplina, reorganização de rotina, retomada de projetos afetivos e salto profissional relevante.

A impressão clínica é de que a BioFAO atuou como instrumento de biorregulação do campo e reorganização do eixo de consciência, ajudando o paciente a sair de uma identidade centrada no medo da doença para uma identidade mais alinhada à sua potência criativa, afetiva e espiritual.

Houve um salto de consciência importante: o paciente parou de repetir um padrão que o adoecia. Deixou de responder à vida a partir do trauma, do medo da recaída e da identificação com o sintoma, e passou a construir novas respostas com mais presença, discernimento e autoria.


Instituto BioFAO — institutobiofao.org.br

Rodapé — Dra. Aline Sabino
Dra. Aline Sabino

Sobre a autora

Dra. Aline Sabino

CRM 130268 SP

Psiquiatria

Médica psiquiatra associada ao Instituto BioFAO, atuando com a Metodologia BioFAO e Medicina Integrativa.

Ver perfil completo ↗

Compartilhar:

Veja Também